Quarta-feira, Janeiro 23, 2002

Oi

Este Kablog não esteve de férias. Ele decretou
moratória mesmo, e agora anuncia sua falência.
Como em todo final de qualquer coisa, um breve
balanço antes de cair:

- possíveis 8 leitores conquistados, dos quais
conheço dois pessoalmente.
- nenhuma citação - graças a Deus - na coluna social.
- nenhuma citação - em qualquer dos lados,
também graças ao divino - no Piores Blogs.
- nenhuma citação em jornais (o que tem pontos
bons e ruins).
- uma citação negativa (ou pejorativa, ou como
preferir) no MarioAV, que vivia dizendo que
"gostava" do Kablog.
- nenhuma citação na Cora, por conta do
correcionismo político da mesma (não contido
aqui, claro), que só permite citar o que é "bonitinho",
"simpatiquinho" e "amiguinho" - impressionante
como reina isso num país em que a merda come
solta e todo mundo acha feio reclamar.
- nenhuma citação no Zeitgeist, apesar da simpatia
entre blogs, da referência constante por parte deste
aqui e da troca de e-mails durante algum período.
- duas citações do (finado) Pachamama.
- algumas citações no (finado) Liliwhatever (com
direito a link permanente - brigadão pelo voto, Lili).
- uma citação no (finado) Ultrablog.
- duas (acho) citações na Ca Mam Wong.
- nenhum esforço em parecer "bonitinho, porém
inócuo", como a grande maioria.
- nenhum esforço em aparecer em ferramentas de
busca - e, por alguma razão, aparece assim mesmo.

Já existe um novo blog à solta, mas o endereço... who cares?

Não aprendi muito lendo; aprendi fazendo e vendo
fazer. Uma coisa ficou como principal; já acreditava
nela, mas a experiência reforçou de um jeito inegável:
um blog é feito de palavras. Os gestos, os atos,
as atitudes - tudo isso continua valendo muito mais,
antes fora, hoje também dentro da Internet.
Chamem do que quiser - "atos valem mais que
palavras", "contra fatos não há argumentos",
"a falsidade é uma merda", o diabo. O estilo
naïf-punk de raiz de fazer blog é uma utopia infeliz.

Então, prego até o fim (livre interpretação):
o mau-humor e a cara fechada são o caminho
contra a babaquice alegrinha e sorridente
que te come pelas beiradas.

Para o mainstream blogueiro, eternamente
sem consciência do próprio "apartheidismo",
(e negando!) que se exploda.

***

Com o fim deste blog, muita gente (sei disso por
alguma estatística e porque, bem, vivo no brasil)
ficou sem saber: que raio de nome é esse?

Há muito tempo, tentei arrumar um jeito de pôr
uma imagem aqui do lado, com um texto pequeno,
simpático, exatamente com a intenção de
explicar. Vai o texto (porque a imagem num teve
jeito mesmo...):

"Muita gente se lembra do desenho de Pepe Legal,
(no original, Quick Draw McGraw), um cavalinho
branco que vivia no velho-oeste americano, ao lado
do burrinho mexicano Babalú (Baba Looey).

No desenho, produzido pela Hanna-Barbera entre
1959 e 1966 (realmente é bem mais velho do que
eu pensava), os dois eram delegado e assistente
em alguma cidade não identificada.

Quando a barra pesava, Pepe disfarçava-se de
El Kabong, o violeiro justiceiro e sedutor que vencia
os bandidos dando uma porrada com o violão: daí o
nome "kabong" - o som era engraçadíssimo."

Eu tinha até o arquivinho de som...

Sábado, Dezembro 29, 2001

NEWS FROM THE FOLHA

Efeitos especiais não suplantam
enredo de "O Senhor dos Anéis"


Demorou pra sacar como se faz...

**********

AAH! É possível que Jennifer Aniston venha a
estar no mesmo país que eu!

**********

"Glitter", é claro, merece cada gota de merda
para coroar seu fracasso fonográfico e
cinematográfico. A EMI descobriu tarde demais
que a tal de Mariah Carey é galinha,
nada de ovos de ouro.

**********

Será um começo?

É simples: vá numa loja e pergunte o preço de
um CD recém-lançado. Depois dê um pulinho
aqui e se delicie com os nomes das finas-flores.

A + B = ...

**********

Sugestão de FODA-SE para o Cocadaboa.
Cumpri hoje uma pauta alheia sobre tecnologia.
Antes, tinha dado pra redatora original um toque
sobre o que é um blog, como se cria, pra que
serve, caso ela precisasse e/ou se interessasse.

Depois, fiquei sabendo que, na hora de fechar a
pauta, outros leram e racharam de rir com aquela
idéia absurda de "ler o uebilógui que vira blógui",
já que "ninguém sabe que merda é essa".
Trataram de deletar tudo o que falasse daquele
"assunto infeliz".

Ter olhos a mais é, realmente, para poucos.
Espero nunca deixar de tentar conseguir todos
os que eu puder...
Olha, quero deixar muito claro um aspecto central
deste blog. Pretendo, inclusive, fazer remissões a
este post no futuro, pra reforçar o recado universal
(o que, aliás, parece nome de ficção de terceira...).

Eu vou ser sempre considerado um cara "radical".
Dane-se, exploda-se, fazer o quê e mudar o quê?
Todo mundo gosta de usar esse rótulo para
aquilo que é diferente da maioria - e tantas vezes,
apenas diferente da opinião da pessoa - mas
ninguém diz O QUE É ser radical.

Não gosto de ser muito pessoal no blog, mas
tenho de abrir uma bem pequena exceção no
que diz respeito a este assunto. É o seguinte:
tudo, absolutamente tudo, sobre o que eu omito
alguma opinião veio de caso pensado, e aqui
vale tanto uma opinião meramente subjetiva ou
aquela "analisada" com o melhor distanciamento
possível para um não-filósofo, não-cientista, não-
um-monte-de-coisas-mais. Qualquer que seja a
natureza do comentário - que disso são feitos blogs,
verbosos ou não -, ela será sempre exposta e
justificada para mim mesmo mais que para
outros).

Eu fico tempo demais pensando na minha vida
e no que me cerca, com meus calejados e
irrisórios neurônios, porque só existe uma
pessoa neste mundo que possa fazer isso por
mim. Esse pensar demais por minha conta e
risco
faz de mim apenas uma pessoa: quem
disser "uma pessoa melhor" ou "pior", que guarde
isso para si, que me transforme em amigo - se
achar que deve - ou que se afaste - se quiser
continuar estanque e magnânimo.

O que me interessa é que o meu pretenso
"radicalismo" seja respeitado como opinião
pensada e conseqüente, porque eu assino
embaixo sempre e também aceito sempre uma
BOA DISCUSSÃO a respeito, entenda-se:
"não tente catequizar, porque não é a minha
intenção catequizá-lo".

Outro mandamento irrevogável: o nível será
sempre igualitário. Nunca se ache superior por
perto de mim - FAÇA-SE superior, sem usar de
qualquer tipo de autoritarismo. Recentemente,
uma discussão foi levantada e, sem a apreciação
devida de argumentos, outras partes ergueram
seus volumosos narizes e deram-se a tratar este
blog como que de forma rasteira. Não são mais
que pessoas, mas se consideram seguidores
inabaláveis - pobres! - da "verdade suprema".

Minha solução para pessoas chuvosas em dia de
sol: "té mais!". Perco sem perder, mas saio ao
menos sabendo das minhas boas intenções.

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu
adoro morrer de rir das coisas mais simples,
que adoro também meus amigos e que eles
sabem disso. Mas sou, sim, radical e pensado,
porque aceito sem medo as asneiras que se digam.
Tenho subsídios - leituras, conversas, vivências -
para olhar um horizonte bem distante e poder
afirmar: o mundo lá na frente ainda está uma
merda, como também está aqui e agora.

Tenho a decência de me assumir posições
como TODOS assumem, tantos sem admitir.
Admitir qualquer coisa, aliás, é algo, para estes,
inconcebível, uma vez que, detentores da "verdade
suprema", não se admite nada: sabe-se de pronto;
a certeza é algo de essência e o erro, para o
seguidor, simplesmente não existe.

São ovelhas. Ao abate com elas.
Tenho postado pouco ("não que isso faça alguma
diferença" e blábláblás correlatos) porque o fim de
ano anda muito mais pauleira que de costume.
É só ver a hora deste post... :-)

UPDATE:... que, aliás, está errada. O Blogger
ainda não aceitou a minha condição de rapaz
latinoamericano (com o bolso furado).

Segunda-feira, Dezembro 24, 2001

UM ANO DE CURTUME

Curtir a vida não é sol, praia, uma morena de um
lado e uma loura do outro, uma bebida perfeita
para a ocasião e preparada com esmero. Essa
é uma cena estática.

Curtir a vida não é estar de bem com os amigos
no bar, rindo muito e sem hora pra chegar em casa.
Essa é uma cena momentânea.

Curtir a vida não é ir para a Igreja e encontrar algum
conforto espiritual na hora do maior desespero.
Essa é uma cena temporária.

Curtir a vida é poder fazer tudo isso com liberdade!
Liberdade física, liberdade financeira e liberdade
intelectual. É ter certeza de que preocupação
é algo que passa e que, vivendo honesta e
antenadamente, pode-se fazer de quase tudo.

Um ano novo de muita liberdade pros meus parcos leitores!
O que é, na verdade, Natal?

Uma época representada por neve e um camarada
velho numa roupa pesada, em pleno verão escaldante
brasileiro?

O nascimento de um judeu há mais de mil anos,
que só sabemos que existiu por conta de relatos
de outros humanos falíveis, autores do livro de
auto-ajuda de maior vendagem em todos os tempos?

Uma corrida desenfreada para comprar alguma coisa
num dia em que nada de pessoal se comemora -
novo emprego, novo filho, nova casa -, sob pena de
que, se não comprar nada, você é um alien sem
coração e não se importa com os outros?

Uma data errada sob qualquer ponto de vista, que
escolhemos para celebrar o aniversário daquele
mesmo judeu, considerado pelos outros que o
seguiam como "o filho de Deus"?

Tudo isso e mais uma completa falta de sentido.
Paternidade é (ou deveria ser) uma ditadura que, pouco
a pouco, se transforma numa co-gestão participativa.

Sexta-feira, Dezembro 21, 2001

FRESHEBÉQUE

Tava numa página de velharias televisivas dos
anos 80. Só de ver o nome "Automan", bateu
uma ziquezira aqui. Lembrei, sem mais nem
menos, de um episódio em que o Automan entra
numa loja de Fliperama e as máquinas saúdam
o cara pelo nome!

Fala a verdade: isso é tosqueira!
Putz!

Até o fim do ano, não dou mais um pio com
relação à indústria de música. Tudo o que eu
poderia dizer já foi escrito.
Por que todo mundo baba esse ovo todo do Roberto
Carlos? Ficam tratando o camarada como se fosse
um intocável, num espírito falso de "pode ser um
velho barango, mas é Roberto Carlos"!

Roberto Carlos é uma bosta, caramba!

Terça-feira, Dezembro 18, 2001

Sobre as recentes conturbações do mundo dos
"blogs à parte", já fiz meu ponto de vista há mais
tempo: linko sim e vou vivendo. Mas só quando
houver interesse real meu pela coisa.

Camaradagem não rende link nem enche barriga.
E não há absolutamente nada de mais em linkar
o que acho bom, venha de onde vier. Blog, pra mim,
não entra no mérito de conseqüências "políticas"
ou "popularescas" ou o que venham a inventar.

A não ser que alguém vá pra cadeia...
Pachamama, nada de folga, nada de preguiça!

Volte já pro seu blog!
Minha oculta conta do Yahoo fumou um dos bons.
Mandei um arquivo de som pra mim mesmo e, na
hora de pegar, veio uma imagem com link quebrado.

Ou seja, pior: bad trip. A imagem nem aparece...

Segunda-feira, Dezembro 17, 2001

Voltando ao All is Dream, o disco realmente é
muito foda. Mas tem uma música... uma maldita
música... em que o camarada abusa do direito de
"desafinar bonitinho".

Jonathan Donahue, vai cantar mal assim
lá em Tides of The Moon!
A propósito, o amigo deputado foi um belíssimo
trouxa em duas situações, e não no sentido
réri-potiano do termo.

Primeiro, uma constante: vive, segundo ele,
cometendo gafes, dizendo expressões em inglês.
Caro, expressões em inglês fazem parte. Não se
arrependa de falar algum outdoor quando não
houver uma palavra adequada na língua.

A outra, bem mais acintosa, foi entrar no jogo do
Millôr e de seu maravilhoso jogo de palavras.
Passou atestado, nessa...

No meu entender, um defende o erro e o outro
se defende errado. Rárá!
Mario, a despeito do que você escreveu,
reafirmo o meu apoio àquele tal projeto.

Isso simplesmente porque nenhum dos
argumentos tão bem enumerados desmerece
a proposta à qual fiz referência. Aliás, só posso
reconhecer verdadeiramente como crítica o que
está do item 7 pra frente; o resto, sou sincero em
dizer que não sei de onde partiu...

Faltou só dizer o seguinte: uma língua não é
estanque. Fale-se o que quiser a respeito e
dentro
do assunto, ninguém jamais irá esgotá-lo
se não enxergar o que há além. No meu entender,
é exatamente nesse além que mora o perigo:
quem disse que "se uma palavra foi importada,
o foi por consenso e necessidade de um grupo
"??
E o fator ignorância, tão caro aos brasileiros?
Será que em algum contexto é possível "ignorar
a ignorância", a teimosia? Quando é o povo que
cria, o faz em português, na imensa maioria dos
casos, até por desconhecimento de outro
contexto, acredito. O "abastado", vamos dizer
assim, quer ser diferente, quer parecer mais,
quer soar sofisticado. Veja você, como tudo em
nossa era, a língua também se presta às
aparências inócuas e ajuda a enterrar o conteúdo
verdadeiro e a mensagem por detrás da moda.
Quem defende a total "abertura" da língua tem de
ser, pela lógica da coisa, o mesmo que defende
a abertura irrestrita de uma economia combalida
e o uso do odioso "politicamente correto".
Já não nos bastam os erros em português
mal-aprendido e mal-ensinado, temos agora de
nos preocupar com anglicismos inúteis?

Concordo com o dito sobre autoritarismo.
Infelizmente, concordo e assumo; pior: não
arredo o pé. Se todos o fizerem, não há
autoritarismo, há um "consenso fabricado",
e, neste caso, visando ao "bem" (se é que...).

O censor (incluo-me voluntariamente no rótulo)
participa, sim, do grupo afetado. Saiba-se que,
contra fatos, não há argumentos. Diversos
"censores" que conheço mudaram, e mudariam,
seu jeito de se expressar para ficar mais
nacionais e afastar um pouco a colonização
intelectual. Nacionais porque não falo só do
Brasil, claro. Mas essa internacionalização
estúpida ocorre, aqui, de cima pra baixo, e isso
parece pra mim o pior de tudo.

Superioridade? Onde isso se encaixa? Vejo um
português em que falamos nocaute, alface, abajur
e quimono. Qual o problema? Nenhum mesmo!
Dizer "inicializar" é que é foda. Engolir "fashion"
como palavra "fashion"? Prefiro o horror de um
"é o bicho".

A melhor parte? "Não vamos consertar a bagunça
impondo leis via 'representantes' e sim estimulando
o bom senso, no nível pessoal, e a eduçação, no
nível coletivo
". Ou seja: uma bagunça já
estabelecida. Não há perspectivas para a Educação -
não tem segredo, é só abrir qualquer jornal e ver.
A solução, de novo, no meu entender, é impôr.
Quanto de certeza há em "não vai dar certo assim,
temos de fazer assado"?

Todo mundo gosta de Asterix. Na hora de aprender
alguma coisa com ele, bate assim uma preguiii...
Não sei se é novidade para alguém, mas essa
Bárbara Paz também ficou pelada numa revista
MUITO RASTEIRA que inventaram uns tempos
atrás. Saíram só uns dois números, pelo que eu
lembro, e vinha fechada. De cada 5 chamadas
de capa, 4 tinham as gírias mais escrotas de
que se tem notícia.
Sério.

A turma da Mônica me ensinou que, quando a
gente faz propaganda de comida de cachorro,
recebe o pagamento em comida de cachorro.
Nunca vi menino nenhum daqueles ir pra aula -
todos com eternos 6 anos, idade de pré. Vivem
num lugar que é cidade grande e roça, ao mesmo
tempo vadiando num "campinho" e enfrentando
ladrões. Onde exatamente mora o Chico Bento,
nisso tudo?

A propósito, onde foram parar Hiro, Cana Braba,
Teófilo, Samira e Bonga, todos personagens,
digamos, étnicos? Sem falar no Pelezinho.

Dizem que é educativo. Mais fácil eu deixar um
filho meu ler Homem-Aranha.
"You're nooow the 655321.
And it is your duty to memorize the number
."

Num espaço de uma semana, li dois grandes
comentários sobre Laranja Mecânica. Deu uma
puta vontade de ver de novo, porque quando eu
vi, tinha só uns 14 ou 15 anos. Gostei,
impressionou, mas certamente a óptica de hoje
seria outra...

Um dos textos, aqui. O outro, não lembro onde.